Rooftop Cinema com a Vizinha
Clara e a vizinha Sofia trocam carícias lésbicas no telhado mas o filme as distrai.
No telhado de um prédio antigo em Lisboa, o calor do verão ainda pairava no ar mesmo depois do sol se ter escondido atrás dos telhados de telha vermelha. Clara, de vinte e quatro anos, ajeitou pela terceira vez o projetor improvisado em cima de uma caixa de madeira. Era uma artista tímida, de mãos manchadas de tinta mesmo depois de lavadas, cabelo escuro preso num rabo-de-cavalo desleixado, e naquela noite a curiosidade vencia a vergonha. Estendeu duas mantas grossas sobre o chão irregular, colocou almofadas roubadas da sala e verificou o cabo de extensão que subia pela escada de serviço. O ecrã era uma parede caiada do prédio vizinho; o filme, um drama francês antigo que ela já tinha visto duas vezes só para ter desculpa de estar ali sozinha, ao ar livre, a fingir que a vida era cinema.
Ouviu o ranger da porta de acesso ao terraço antes de ver quem era. Sofia apareceu com uma garrafa de vinho tinto numa mão e duas copos de plástico na outra, o vestido leve colado às curvas pelo vento quente. Vinte e nove anos, confiante, lábios pintados de um vermelho que não pedia licença, a vizinha do lado que Clara admirava de longe há meses — sempre a descer as escadas com saltos, sempre a rir alto no telemóvel, sempre a cheirar a algo caro e proibido.
— Vi a luz do projetor da minha janela — disse Sofia, sorrindo de lado. — Não me digas que preparaste um cinema só para ti, sozinha nesta fornalha.
Clara corou até às orelhas, mas fez espaço na manta.
— Podes ficar. Trouxe vinho, afinal. Isso já é metade do ingresso.
Sofia sentou-se perto demais. O joelho dela roçou o de Clara quando se ajeitou. Destapou a garrafa com os dentes, serviu os copos e brindou sem pressa.
— Às noites quentes de Lisboa. E às vizinhas que finalmente se cruzam no sítio certo.
O filme começou. Luzes baixas, legendas brancas a tremer na parede. O ar entre elas encheu-se de olhares demorados. Clara sentia o perfume de Sofia — baunilha e pele quente — e cada vez que a outra mulher ria de uma cena, o peito subia e descia de um modo que fazia a garganta de Clara secar. Comentaram o calor. Sofia puxou a alça do vestido, mostrando mais ombro.
— Estou a derreter. Tu também devias tirar alguma coisa antes de ficares toda molhada só de existir.
Clara riu, nervosa, e puxou a camisa por cima da cabeça, ficando só com um top fino. Sofia não disfarçou o olhar que desceu pelo decote, pelas clavículas, até à barriga descoberta.
— Tens um corpo de quem passa o dia a desenhar mas esquece-se de se olhar ao espelho — murmurou Sofia, voz rouca. — É uma pena. Eu olhava todos os dias.
Debaixo da manta, os joelhos tocaram-se de propósito. Depois as coxas. Sofia deixou a mão pousar na perna de Clara, primeiro por cima do tecido do short, depois por baixo da bainha, dedos quentes a desenhar círculos lentos na pele interior da coxa. Clara prendeu a respiração. O filme continuava, vozes em francês a discutir amor e traição, mas nenhuma das duas prestava verdadeira atenção.
— Sempre te vi a sair de manhã com a pasta de desenhos — confessou Sofia, a mão a subir centímetro a centímetro. — Sempre quis saber se por baixo daquela timidez havia fogo.
Clara engoliu em seco e retribuiu o toque. Os dedos trémulos dela encontraram o joelho de Sofia, depois a coxa macia, e o coração batia-lhe tão forte que tinha a certeza de que a outra ouvia.
— Eu… sempre quis beijar-te — sussurrou Clara, tão baixo que quase se perdeu no vento. — Desde a primeira vez que te vi a regar as plantas na varanda de sutiã.
Sofia não respondeu com palavras. Puxou-a pela nuca e beijou-a. O beijo foi fundo, molhado, línguas a dançar sem hesitação. Clara gemeu contra a boca dela; Sofia sorriu no meio do beijo e passou a mão por cima do top, apertando o peito de Clara, o polegar a roçar o mamilo já duro. Clara retribuíu, explorando os seios de Sofia por cima do vestido fino, sentindo o calor, o peso, a confirmação clara de que as duas queriam e precisavam daquilo.
As mãos ficaram mais ousadas. Sofia deslizou os dedos por baixo do top, encontrou a pele nua, rolou o mamilo entre o indicador e o polegar até Clara arquejar. O copo de vinho tombou, manchando a manta, e nenhuma se importou. O projetor continuava a lançar imagens na parede — um casal a discutir numa cozinha parisiense — enquanto no telhado as duas mulheres se devoravam com a urgência de quem tinha esperado meses em silêncio.
— Tira isto — pediu Sofia, puxando o top de Clara. — Quero ver-te. Quero provar-te.
Despirem-se com pressa desajeitada. O vestido de Sofia subiu pelo corpo e foi parar a um canto junto ao projetor. Clara ficou nua primeiro, peitos pequenos e sensíveis, peça entre as pernas já brilhante de desejo. Sofia olhou-a como quem olha para uma obra que quer destruir com a boca. Deitou Clara de costas na manta, abriu-lhe as pernas com as mãos firmes nas coxas e baixou a cabeça sem cerimónia.
A língua de Sofia encontrou a rata molhada de Clara e lambeu de baixo para cima, lenta, faminta, recolhendo o gosto salgado-doce. Chupou o clitóris entre os lábios, chupou de novo, e enfio dois dedos fundo, curvando-os para dentro enquanto a língua trabalhava em círculos. Clara gemeu alto, o som ecoando no terraço vazio, as costas a arquearem, as mãos a agarrarem o cabelo de Sofia.
— Porra… Sofia… assim…
Sofia não abrandou. Dedos a entrar e sair, molhados, o polegar a pressionar por baixo do clitóris enquanto a boca chupava. Clara tremeu, as coxas a fecharem-se em volta da cabeça da outra, o orgasmo a construir-se rápido demais, quente demais. Quando gozou, foi com um grito abafado contra o próprio pulso, o corpo a sacudir sob a boca voraz de Sofia.
Ainda ofegante, Clara puxou-a para cima e inverteu as posições. Ficou por cima, ajoelhada, e encaixou a sua cona molhada contra a de Sofia. A tesoura começou lenta — lábios a esfregar lábios, clitóris a bater um no outro — e logo ficou intensa, ritmada, as ancas a empurrarem com força. Apertavam os seios uma da outra, mamilos roçando mamilos, bocas a juntarem-se em beijos desesperados entre gemidos.
— Mais depressa — pediu Sofia, unhas cravadas nas nádegas de Clara. — Esfrega-te em mim até eu gozar na tua pepeca.
Clara obedeceu. O atrito era sujo, barulhento, a humidade das duas a misturar-se. Beijavam-se, mordiam lábios, sussurravam palavrões sem jeito. O orgasmo de Sofia chegou primeiro, o corpo a endurecer, um gemido longo e rouco a sair-lhe da garganta enquanto apertava Clara contra si. Clara seguiu segundos depois, friccionando com força até o prazer a cegar outra vez, as duas coladas, suadas, a tremer no meio das mantas.
Respiraram juntas. O suor escorria entre os peitos. Sofia riu baixinho, satisfeita, e beijou o ombro de Clara.
Foi então que o filme as distraiu de verdade. Na parede, a cena mudara para um close-up ridiculamente longo de um baguete a ser partido em câmara lenta, acompanhado por uma trilha sonora dramática de violinos. As duas pararam, ainda nuas, ainda encaixadas, e olharam para o ecrã improvisado.
Clara piscou o suor dos olhos.
— Estás a ver isto? Passámos as últimas meia hora a lamber-nos como se o mundo fosse acabar e o filme está a ter um orgasmo com um pão.
Sofia soltou uma gargalhada rouca, puxou Clara para um último beijo preguiçoso e murmurou contra a boca dela:
— No mínimo o baguete durou mais tempo que nós duas juntas. Da próxima vez trago pipocas… e deixo o pão em casa.
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