Cerveja Amarga, Desejo Doce
Ex-domina a ex-namorada de 29 anos num reencontro quente de BDSM no apartamento dele.
Eu nunca imaginei que ia te contar isso com todos os detalhes, mas precisa sair. Tenho vinte e nove anos, trabalho com design em São Paulo, e achei que já tinha enterrado aquela fome. Até o happy hour no barzinho escondido no centro, luz baixa, cheiro de cerveja e madeira velha.
Andre estava no canto, trinta e quatro anos, a mesma postura de quem domina sem precisar gritar. Ex-dominador meu. Ex-namorado. Quando nossos olhares se cruzaram, meu estômago afundou. Ele sorriu de lado, aquele sorriso que eu conhecia demais, e acenei pra cadeira ao lado. Sentei. As mãos suando no copo.
— Renata — ele disse baixo. — Quanto tempo.
Contei bobagem sobre freela, sobre a cidade. Ele escutava com aquela atenção afiada. Aí a voz saiu de mim, quase sem eu mandar, olhos baixos no verniz da mesa:
— Nunca achei outro homem capaz de me dominar como você. Ninguém. Eu… sinto falta. Do jeito que você me pega. Do jeito que eu sumo.
O silêncio entre a gente ficou quente. Ele inclinou o corpo. Meu joelho roçou o dele. Desejo mútuo, claro, adulto, combinado no olhar antes de qualquer palavra. Eu queria. Ele queria. A dinâmica que faltava nos dois.
A conversa virou flerte explícito ali no escuro do canto. Música abafada, ninguém prestando atenção.
— Fala direito o que você quer — ordenou, suave, mas já era ordem.
Apertei as coxas. O calor subiu na calcinha.
— Quero ser amarrada. Usada. Do jeito antigo. Você mandando, eu obedecendo sem pensar.
Andre passou o polegar no meu pulso, devagar.
— Olha pra mim. Agora. Boquinha fechada até eu deixar. Respira fundo. Imagina a corda no seu tornozelo. Imagina eu te abrindo.
Gemido prendeu na garganta. Coxas se esfregando sozinhas sob a mesa. Ele mandava baixinho: senta direita, abre um pouco mais as pernas, conta até três e segura. Cada ordem me deixava encharcada. O tesão cresceu até eu me inclinar no ouvido dele, cheiro de cerveja amarga e pele quente:
— Quero ser sua puta hoje. Por favor.
Ele segurou meu queixo.
— Então vamos. Meu apartamento. Você entra, tira a roupa e se ajoelha. Combinado?
— Combinado — sussurrei. Consenso limpo, cabeça boa, nenhum gole a mais atrapalhando. Só vontade crua.
No elevador do prédio dele já tremia. Porta aberta, apartamento limpo, quarto com a cama larga que eu lembrava. Andre fechou a porta com calma. Eu tirei o vestido, a calcinha, o sutiã. Ajoelhei no tapete como ele pediu, mãos nas coxas, peito pra frente. Ele andou em volta, avaliando.
— Boa menina. Levanta. Deita. Águia.
Tirou as cordas vermelhas da gaveta. Amarrou meus pulsos nas cabeceiras, tornozelos abertos nas extremidades da cama, pernas bem abertas, vulnerável e molhada pra ele ver tudo. O nó apertava no jeito certo — firme, testado, eu podia mexer só o suficiente pra sentir a rendição. Meu peito subia rápido. Ele acendeu a vela preta, esperou a cera ficar líquida.
— Vadia safada. Cadela molhada. Olha como você pinga só de ser amarrada.
A primeira gota caiu no seio esquerdo. Queimação doce, depois calor espalhando. Eu arqueei, gemei alto. Outra no mamilo direito. Outra descendo no caminho até o clitóris. A cera quente beijou o botão inchado e eu gritei o nome dele, puxando as cordas. Ele riu baixo, satisfeito, espalhou mais algumas gotas nos lábios da boceta, chamando de putinha carente, de escrava que só goza quando dói gostoso. Os seios ficaram marcados de vermelho brilhante, o clitóris latejando sob a casquinha esfriando.
— Agora eu te fodo.
Soltou só o bastante pra me virar de quatro sem desfazer os nós principais, joelhos abertos, bunda pra cima. Enterrou de uma vez, grosso, fundo, até o saco bater. Puxou meu cabelo com força, fodeu batendo forte, a cama rangendo. Cada estocada me empurrava pra frente e a corda nos pulsos puxava de volta. Tapas estalaram na bunda — um, dois, três — marcando pele.
— Diz o que você é.
— Sou sua escrava — gemia entre gemidos. — Me usa mais. Por favor, me usa.
Ele me virou de lado, uma perna erguida alta, ainda amarrada, entrando mais fundo naquele ângulo. Alternava tapas fortes na nádega exposta com dois dedos molhados no cu, abrindo devagar, metendo no ritmo da piroca. Eu gozei a primeira vez gritando, boceta apertando nele, cera rachando nos peitos. Continuou. Segunda onda veio logo, mais suja, enquanto os dedos no cu faziam círculos e a mão no cabelo puxava minha cabeça pra trás.
— Mais. Goza de novo pra mim, cadela.
Gozando terceira vez, pernas tremendo, baba no queixo, gritando sem vergonha: Sou sua escrava, me usa mais, fode meu cu com o dedo, me quebra. Andre metia sem piedade, suando, elogiando baixinho o quanto eu engolia ele inteiro, o quanto minha bunda vermelha de tapa era perfeita. Quando gozei a quarta, quase sem ar, ele segurou fundo e gozou dentro, quente, me enchendo enquanto eu contraía em volta.
Depois do último orgasmo intenso ele parou. Respiração pesada. Desamarrou com cuidado, massagou os pulsos e tornozelos, verificou a pele. Pegou toalha quente do banheiro, limpou a cera, o porra, o suor entre minhas pernas e peitos com carinho lento, quase ritual. Deitou ao meu lado e me puxou pro peito, braço possessivo na cintura, perna jogada por cima da minha.
Chorei. Alívio e prazer misturados, soluçando quieto no pescoço dele. Ele beijou meu cabelo.
— Shhh. Eu tô aqui. Você aguentou lindo.
Ficamos assim um tempo. Corpos colados, cheiro de sexo e cera. Conversa baixinha no escuro:
— Eu senti falta disso — admiti. — De sumir dentro da ordem. De confiar de novo.
— Eu também — ele respondeu, voz rouca. — Não é só foda. É a gente. Essa noite reacendeu alguma coisa profunda. Eu não quero que acabe na porta amanhã.
Apertei o braço dele.
— Então a gente transforma. Esse reencontro vira… mais. Regras de novo. Encontros. Talvez algo fixo, se a gente aguentar.
Andre ficou em silêncio um segundo, polegar desenhando círculos nas minhas costas marcadas.
— Vira o que a gente construir a partir de agora. Mas tem condição. Amanhã de manhã você ainda dorme aqui. E a gente conversa tudo acordado — limites, safeword renovada, o quanto de possessivo eu posso ser fora da cama. Porque se for pra recomeçar, eu quero você de verdade. Inteira. Não só a putinha amarrada.
Meu peito apertou de um jeito novo, misto de medo doce e vontade. Beijei a clavícula dele.
— Eu quero. Mas tem coisa que eu ainda não falei. Sobre o que eu precisei depois que a gente terminou. Sobre o quanto eu tentei apagar você e falhei.
Ele ergueu meu queixo, olhou fundo.
— Então fala. Ou guarda pra amanhã. De qualquer forma, Renata… você não sai daqui sem a gente decidir o próximo passo. Juntos.
A cidade roncava lá fora. Eu estava marcada, limpa, abraçada, e o fio da conversa ficou vibrando no ar — o que a gente ia virar, o quanto de antigo e de novo cabia nessa cama, e a confissão completa que eu ainda segurava na ponta da língua, esperando a luz do dia pra não estragar o gosto de ter sido, de novo, completamente dele.
Eu acordei ainda colada no peito dele, a marca da corda latejando gostoso no pulso. A luz fraca da madrugada entrava pela fresta da cortina. Andre dormia de lado, braço pesado na minha cintura, o cheiro de sexo seco e cera ainda grudado na gente. Meu corpo doía do jeito certo — bunda quente dos tapas, boceta latejando, peitos com a pele puxando onde a cera tinha seco. Eu poderia ter ficado quieta. Deveria. Mas a confissão queimava na língua desde a noite anterior.
Deslizei a mão pelo peito peludo dele, desci até a virilha, enrolei os dedos no pau já meio duro de sono. Ele resmungou, abriu um olho.
— Renata…
— Eu não consigo esperar a manhã — sussurrei. — Preciso falar. E preciso que você me use de novo enquanto eu falo. Senão eu não aguento.
Ele sentou na cama, puxou meu cabelo com cuidado só pra me olhar de frente. Vinte e nove anos na cara dele e eu ainda derretia igual putinha de primeira vez.
— Fala. Sem rodeio.
Respirei fundo. A confissão saiu crua, voz rouca:
— Depois que a gente terminou, eu tentei apagar você. Saí com três caras. Deixei dois me amarrarem. Um usou cera. Outro me fodeu de quatro chamando de escrava. E… eu gozei. Gozei lembrando de você. Cada vez. Eu fingia que era sua mão, sua corda, sua voz. Eu traí a sua memória no corpo de estranho e ainda assim só conseguia gozar te chamando por dentro. Isso me deixou nojenta de mim mesma. E com mais fome ainda.
O silêncio dele foi absoluto. Depois o polegar passou no meu lábio inferior, forçando a boca a abrir.
— Então você é uma cadela traidora que só goza no fantasma do dono. Isso?
— Sim — gemi, molhada de novo só da vergonha.
— Boa. Agora ajoelha no chão. Mãos atrás das costas. Língua pra fora.
Obedeci na hora. O tapete arranhou os joelhos. Andre levantou, abriu a gaveta de novo, tirou a coleira de couro preta que eu lembrava de cor — a mesma, o metal frio no fecho. Passou no meu pescoço, apertou o suficiente pra eu sentir o peso a cada respiração. Prendeu a trela curta na cabeceira da cama e me puxou até eu ficar de quatro, rosto rente ao colchão, bunda alta.
— Essa noite você confessou fome. Agora confessa direito enquanto eu te abro.
Ele lambeu dois dedos, enfiou na minha boceta de uma vez, torto, procurando o ponto. Eu gritei no lençol. Os dedos saíram molhados e foram direto pro cu, girando, abrindo o anel devagar, insistente. Eu forcei o corpo pra trás, pedindo mais.
— Conta quantos gozaram em você pensando em mim.
— Dois… ah, porra… dois gozaram dentro. Um na cara. Eu limpava e ainda assim vinha a sua cara na minha cabeça.
— Suja. Mentira gostosa. Agora pedi pra eu te foder o cu de verdade.
— Me fode o cu, Andre. Por favor. Me usa como a puta mentirosa que eu sou.
Ele cuspiu na minha entrada, posicionou a cabeça grossa e empurrou. Devagar no começo — a ardor abriu caminho, o excesso de lubrificação da boceta escorrendo ajudando. Quando entrou até a metade eu já tremia. Ele segurou meus quadris e enterrou o resto num só movimento. Gritei. A coleira puxou meu pescoço pra trás. Cada estocada no cu batia fundo, o saco batendo na boceta inchada. Ele alternava: pau no cu, dois dedos na boceta, polegar no clitóris esmagando em círculo.
— Diz o que você é agora. Inteira.
— Sou sua escrava. Sou a puta que tentou te apagar e falhou. Sou só buraco pra você. Me quebra. Me marca de novo.
Tapas caíram na bunda já vermelha — quatro, cinco, seis — o estalo ecoando no quarto. Ele puxou a trela com força, me forçou a arquear mais, fodeu mais rápido. Eu gozei no cu dele com a boca aberta, baba escorrendo no lençol, pernas batendo. Ele não parou. Continuou metendo enquanto eu contraía em volta, o orgasmo se arrastando até doer gostoso. Quando a segunda onda veio, ele tirou o pau, me virou de costas no chão mesmo, pernas abertas no ar, e enfiou de novo na boceta molhada de porra e lubrificação. Fodeu batendo, a cabeça da piroca batendo no fundo, a coleira puxando meu pescoço pra cima pra eu olhar nos olhos dele.
— Mais uma. Goza me olhando, vadia. Confessa de novo.
— Eu te amei mesmo depois. Eu te amei fodendo outros. Eu te amei gozando sozinha toda noite. Eu nunca saí de você — gritei, gozando a terceira vez, visão tremendo, unhas cravadas nas próprias coxas.
Andre gemeu grave, segurou fundo e gozou dentro da boceta, jatos quentes me enchendo de novo, o corpo dele tremendo por cima do meu. Ficou enterado até o último espasmo. Depois saiu devagar, viu o creme escorrer de mim e passou dois dedos, enfiou na minha boca.
— Chupa limpo. Tudo.
Chupei. O gosto salgado de nós dois, a textura, a humilhação doce. Ele desprendeu a trela, tirou a coleira com cuidado, massajou meu pescoço. Carregou meu corpo mole até a cama, deitou ao lado, puxou o cobertor. Dedos longos limparam o suor da minha testa.
Ficamos quietos. O coração ainda disparado. Eu sentia o sêmen escorrendo devagar entre as pernas, a ardor gostosa no cu, as marcas latejando. Andre beijou minha testa.
— Limites renovados amanhã de manhã. Safeword continua vermelho. Fora da cama eu quero exclusividade. Nada de fantasma em corpo alheio. Dentro da cama eu te quebro do jeito que você precisa. Combinado?
— Combinado — sussurrei no peito dele. — Eu quero ser sua de verdade. De novo. Fixo. Regras, encontros, coleira quando a gente decidir. Eu aguento.
Ele sorriu de lado, aquele sorriso de sempre.
— Então dorme. De manhã a gente escreve tudo. E eu te amarro de novo só pra selar.
Fechei os olhos. O corpo doía, o peito estava leve pela primeira vez em anos. A cidade roncava lá fora. Eu estava marcada, cheia, abraçada, e pela primeira vez a confissão não pesava — tinha virado combustível. Andre respirou fundo, o braço possessivo na minha cintura de novo.
Pensei em como eu tinha chegado até ali: happy hour, cerveja amarga, o elevador, as cordas vermelhas, a cera, os tapas, o cu aberto, a coleira, a confissão suja. Tudo perfeito. Tudo meu.
Até a última frase que ele murmurou no meu cabelo, já quase dormindo, voz baixa demais pra ser brincadeira:
— Dorme, Renata. Amanhã a gente finge que isso foi só reencontro… enquanto eu decido se te devolvo pro mundo ou se te tranco aqui de vez.
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