Cerveja, Desejo e um Beijo Demorado

Dois cariocas tarados se pegam com força depois de um beijo molhado no bar da praia.

28 min read August 19, 2026New

O bar da praia estava uma loucura daquelas. Verão no Rio, noite abafada, o ar pesado de sal, protetor solar barato e suor de gente dançando perto demais. Os alto-falantes cuspindo funk antigo misturado com pagode, o balcão molhado de condensação de latinha, e o mar lá atrás batendo preguiçoso como se também estivesse de olho na baderna. Gideon enfiou o cotovelo entre dois turistas vermelhos de sol, pediu mais uma cerveja bem gelada e riu sozinho quando a garçonete rolou os olhos — ele já era freguês daquilo, 28 anos, corpo de academia malandra, ombros largos, peito marcado sob a regata branca colada no suor, e um tapete de tatuagens subindo pelo braço esquerdo até sumir no pescoço: onda, âncora torta, um coração meio cínico com a palavra “depois”.

Ele bebeu um gole longo, sentindo o gelo descer e o calor do álcool subir devagar. O Rio pedia isso: cerveja, olho em quem passava, e zero pressa de fingir decência. Foi aí que viu o tipo.

Alto pra caralho, barba bem-feita escura, cabelo curto com aquele corte europeu que ainda não tinha se rendido ao caos carioca. Camisa de linho aberta o suficiente pra mostrar um peito peludo e um colar simples, calça clara grudada nas coxas por causa do suor. O sotaque chegou antes do resto — um “obrigado, meu” grosso, cantado, português de Portugal, daqueles que fazem a língua rolar diferente na boca. Gideon sentiu o interesse subir na hora, quente, direto na virilha, como se o corpo tivesse decidido antes da cabeça.

O português — Otto, ele soube minutos depois, quando a conversa já ia longe — se encaixou no balcão a dois bancos de distância, pedindo cerveja também, e Gideon não perdeu tempo. Deslizou para o lado, “acidentalmente” esbarrando o ombro no dele, e ergueu a latinha.

— Tá fugindo do calor ou caçando ele? — perguntou, sorriso torto, olho demorado no perfil do outro. — Porque aqui o calor pega de todos os jeitos, irmão.

Otto virou o rosto. Olhos castanhos escuros, boca carnuda, e aquele sotaque que saiu molhado de humor:

— Vim de Lisboa há duas semanas. Acharam que eu ia derreter. Até agora só derreti por dentro. — Fez um gesto vago pro próprio peito suado. — E tu? Pareces feito pra isto. Tipo… fabricado no forno carioca.

Gideon riu alto, um riso sujo e fácil, e empurrou a segunda cerveja que a garçonete trouxe na direção dele.

— Fabricado com defeito de fábrica: gosto de homem alto com sotaque de novela portuguesa. Toma. A tua tá quente já. Aqui a gente troca, senão o bagulho vira chá de cevada e a gente perde a dignidade.

Otto aceitou, dedos longos roçando os de Gideon no metal gelado. O toque durou meio segundo a mais do que precisava. Nenhum dos dois puxou a mão na hora. Gideon sentiu o choque subir pelo braço, direto pro estômago, e pensou, puta que pariu, esse português tem mão de quem sabe usar. Otto bebeu, garganta subindo e descendo, uma gota de suor escorrendo da têmpora até a barba, e Gideon acompanhou o caminho com os olhos sem nem disfarçar.

— Caipirinha daqui é absurda — comentou Otto, apontando com o queixo pro copo monstro que uma mina carregava passando. — Em Lisboa a gente bebe coisa pequena, elegante. Aqui parece que vosso objetivo é matar o fígado e o juízo no mesmo gole.

— Tamanho é documento, mano — Gideon devolveu, voz baixa, inclinando o corpo pra frente. O balcão escondia da cintura pra baixo, mas ele abriu um pouco as pernas mesmo assim, confortável, provocador. — Caipirinha grande, onda grande, pau… enfim. A gente não faz as coisas pela metade. Tu prefere as pequenininhas de Lisboa ou tá pronto pra experimentar as monstras daqui?

Otto engasgou na cerveja de rir, tosse curta, olhos brilhando. Passou a mão na barba pra limpar uma gotinha e Gideon quis morder aquele queixo ali mesmo.

— Cristo. Direto ao assunto. Gosto. — Otto aproximou o banco, joelho batendo no de Gideon de propósito agora. O tecido das calças raspando. Calor de pele por baixo. — Em Portugal a gente finge que é súbtil. Aqui parece que o calor arranca a máscara. E essas tuas tatuagens… contam história ou é só pra chamar atenção de português recém-chegado e com fome?

— Um pouco dos dois. — Gideon estendeu o braço, deixando Otto ver de perto a âncora torta. Os dedos de Otto subiram “sem querer” pela tinta molhada de suor, traçando a linha da onda até o interior do cotovelo, onde a pele era mais fina e quente. Gideon sentiu o pau reagir na bermuda, engrossando devagar, pesado. Não afastou. — Essa aqui eu fiz depois de uma noite em que beijei errado e acordei certo. E tu? Essa barba é de sedução calculada ou cresce assim porque tu é preguiçoso elegante?

— Calculada. — Otto confessou, voz mais grave, o sotaque enrolando as palavras como se estivesse chupando cada sílaba. O polegar dele parou no pulso de Gideon, sentindo o pulso acelerado. — Funciona? Porque desde que encostaste em mim eu estou a pensar em quantas cervejas faltam pra eu te puxar por esta regata e ver o resto do desenho com a língua.

Gideon soltou uma risada baixa, quase um gemido disfarçado. O bar continuava ensurdecedor — gente gritando pedido, gelo batendo em balde, uma risada aguda de algum grupo de mina —, mas o espaço entre os dois tinha virado uma bolha quente e úmida. Ele deslizou a mão por baixo do balcão e “errou” o caminho até a coxa de Otto, apertando de leve a carne firme por cima da calça. Otto não recuou. Abriu um pouco mais as pernas, convidando o toque a subir centímetros perigosos.

— Faltam menos do que tu imagina — murmurou Gideon, boca perto da orelha do outro agora, sentindo o cheiro de cologne caro misturado com suor salgado. — Tô duro só de ouvir tu falar “língua” com essa porra desse sotaque. E o calor tá de matar. Olha só… minha regata já é segunda pele. A tua camisa também. Se a gente continuar nessa brincadeira de toque acidental, eu vou acabar te comendo com os olhos até tu gozar em pé.

Otto virou o rosto o suficiente pra que os narizes quase se encostassem. Hálito de cerveja gelada e menta de algum chiclete antigo. Olhos semicerrados, pupilas largas.

— Então não brinques. — A mão livre dele subiu pelas costas de Gideon, por baixo da regata suada, palma aberta percorrendo o músculo quente da lombar, unhas roçando de leve. Gideon arrepiou inteiro, um calafrio gostoso descendo até as bolas. — Vim pro Rio pra esquecer um namoro de merda e achei um carioca tatuado que fala de tamanho de caipirinha como se estivesse a falar de piroca. Estou a ficar com o pau a latejar contra o fecho da calça. Tu sentes?

Gideon sentiu. Deslizou a mão mais pra dentro da coxa de Otto e sim, lá estava — volume grosso, quente, pulsando sob o tecido. Ele apertou de leve com os dedos, só o suficiente pra arrancar um suspiro abafado do português, e sorriu daquele jeito safado de quem sabe que ganhou a primeira rodada.

— Sinto. E gosto. Grosso, hein? Lisboa manda bem. — Outro gole de cerveja, garganta trabalhando, e ele lambeu o lábio inferior devagar, provocando. — Continua me contando merda. Fala de calor. Fala de quanto tu quer enfiar a língua na minha boca no meio desse bar lotado. Porque eu tô a um beijo de te arrastar pra trás desse balcão ou pra areia escura ali na frente, e ainda não decidi qual vai doer de tão bom.

Otto riu de novo, mas o riso saiu rouco. A mão nas costas de Gideon desceu até a borda da bermuda, dedos enfiando por baixo do elástico só a ponta, tocando a curva superior da bunda suada. Gideon empurrou o quadril pra trás, pedindo mais contato sem palavras, e o pau dele já marcava clareza na frente da bermuda estampada de praia — uma tenda descarada que qualquer um que olhasse de lado perceberia.

— O calor está insuportável — disse Otto, devagar, cada palavra uma lambida imaginária. — A minha camisa cola no peito. O teu peito cola na regata. Eu quero puxar isto pra cima e morder um mamilo até tu xingares em português do Brasil. Quero saber se tu gemes alto ou se mordes o lábio. Quero medir a tua caipirinha particular com a mão e depois com a boca, bem devagar, enquanto tu puxas o meu cabelo e mandas eu engolir tudo. E esse beijo… — Ele parou, olhando a boca de Gideon com fome aberta. — Esse beijo eu quero molhado, demorado, com dente e língua e gosto de cerveja. Bem aqui. Ou lá fora. Ou no puto do banheiro se for preciso. Tu decides antes que eu decida por nós.

Gideon estava com o coração batendo na garganta e o pau latejando num ritmo que pedia atrito já. Olhou em volta rápido — o bar seguia alheio, corpos apertados, ninguém prestando atenção real além de olhares de passagem — e voltou pro rosto de Otto. A tensão era um fio esticado prestes a estourar. Ele tirou a mão da coxa do outro só pra segurar o maxilar barbudo, polegar roçando o lábio inferior carnudo, e falou baixo, quase no beijo:

— Tu fala assim e eu esqueço que a gente se conhece há vinte minutos. Otto de Lisboa… se eu te beijar agora, não vou parar no beijo. Vou querer tua mão na minha piroca por cima da bermuda, aqui mesmo, enquanto o pessoal pede mais chopp do lado. Vou querer te ouvir xingar em português de lá quando eu apertar teu pau de volta. E depois a gente vai ter que sair daqui antes que eu te foda contra a parede do banheiro com a porta mal fechada.

Otto engoliu seco, os olhos escuros quase pretos de tesão. A mão dentro da bermuda de Gideon apertou a carne da bunda com força agora, possessiva, e o quadril dele deu uma fisgada pra frente, esfregando o volume contra a lateral da perna de Gideon por baixo do balcão.

— Então beija — desafiou, sotaque arrastado, quente. — Ou continua a me torturar com essa boca falante. Estou a suar por ti. A minha pila está a doer. E se não me dares a língua nos próximos segundos, eu mesmo te puxo e foda-se quem estiver a olhar.

Gideon sentiu o mundo reduzir àquilo: o gosto de cerveja na boca, o cheiro de Otto, o calor absurdo do verão carioca grudando pele em pele, e a promessa suja pairando entre eles como fumaça. Ele puxou o rosto do português mais um centímetro, lábios quase se tocando, respiração misturada, o pau latejando urgente dentro da bermuda… e sorriu contra a boca dele, ainda sem fechar a distância completa, a voz saindo rouca de tanto segurar o desejo.

— Calma, português. A noite é uma criança. Mais uma cerveja. Mais um toque. E aí eu te dou esse beijo demorado até tu esquecer teu próprio nome. Mas quando eu te beijar de verdade… tu vai sair daqui andando torto e pedindo mais.

Otto soltou um riso frustrado e excitado ao mesmo tempo, a mão ainda enfiada na bermuda de Gideon, os dedos agora traçando a linha do suor na base da coluna. Os dois ficaram assim, colados no balcão lotado, trocando gole de cerveja gelada e ameaças baixas, joelhos trançados, volumes duros se roçando de leve a cada movimento “inocente”, o mar rugindo atrás e o verão empurrando eles um contra o outro sem piedade — a tensão latejando, aberta, pronta pra explodir no segundo seguinte, mas ainda segurada só pela fina linha de mais uma latinha suando entre os dedos.

O balcão continuava uma confusão suada e barulhenta, mas entre Gideon e Otto o ar tinha engrossado de um jeito que quase dava pra morder. Mais uma latinha suando entre os dedos, mais um esfregar de joelho sob a madeira úmida, e o pau de Gideon já doía de tão duro dentro da bermuda. Otto ainda tinha a mão enfiada por baixo do elástico, dedos preguiçosos desenhando círculos na curva da bunda dele, e cada vez que o português ria daquela forma rouca o volume grosso se movia contra a coxa de Gideon como um convite descarado.

Foi aí que Otto se inclinou de vez, barba roçando a orelha de Gideon, sotaque escorrendo quente:

— Sabes o que eu acho, carioca? Que brasileiro beija melhor do que fala. Passas o tempo todo a gabar de caipirinha monstra e de tamanho e de língua… mas até agora só me deste conversa mole e ameaça. Será que a boca funciona mesmo ou é só publicidade enganosa?

Gideon sentiu o insulto gostoso descer direto pro pau. Riu baixo, um riso sujo que vibrou no peito, e empurrou o banco pra trás com o pé. Em dois segundos tinha agarrado Otto pelo colarinho da camisa de linho suada e puxado o corpo inteiro pro canto mais escuro do balcão, onde a sombra de um guarda-sol rasgado e uma coluna de cerveja gelada escondiam metade deles. A boca bateu na de Otto sem aviso, molhada, aberta, faminta pra caralho.

A língua de Gideon entrou pesada, chupando o gosto de cerveja e menta, enrolando na do português com uma fome que fez Otto gemer alto o suficiente pra algumas cabeças se virarem e logo desistirem. Era beijo de quem tava a um passo de comer o outro ali mesmo: dente puxando lábio inferior carnudo, saliva misturando, nariz esmagado, barba raspando a pele lisa de Gideon. As mãos de Otto subiram na hora, uma enfiada no cabelo curto do carioca, a outra descendo de novo pela bermuda e apertando a bunda com força, puxando o quadril pra frente até os dois volumes duros se esfregarem por cima da roupa, grossos, quentes, latejando no mesmo ritmo desesperado.

Gideon riu no meio do beijo, o som saindo abafado contra a boca de Otto, e mordeu de leve a língua dele antes de puxar ar.

— Porra… tu pediu, português safado. Agora engole.

Voltou a beijar, mais fundo, mais molhado, línguas se enrolando com barulho obsceno de saliva e desejo. Otto retribuía com a mesma fome, gemendo baixo cada vez que Gideon chupava o lábio dele ou enfiava a língua mais fundo. As mãos já não disfarçavam porra nenhuma: Gideon abriu o fecho da calça clara o suficiente pra enfiar dois dedos por dentro e sentir a glande quente e úmida de pré-porra, enquanto Otto metia a mão inteira dentro da bermuda do carioca e fechava os dedos em volta do pau grosso e veiado, apertando, puxando devagar, sentindo o peso.

Eles riram de novo entre um beijo e outro, a risada saindo entrecortada de tesão, testa colada, suor escorrendo pelo pescoço.

— Tô louco de tesão por ti — confessou Gideon, voz rouca, respiração quente na boca do outro. — Sério. Desde que tu falou “pila” com essa porra desse sotaque meu pau resolveu que quer teu cu ou tua boca ou os dois, tanto faz a ordem. Tô pingando dentro da bermuda, Otto. Sente.

Apertou a mão de Otto em volta do próprio pau pra ele sentir a umidade na cabeça, o inchaço quase dolorido. Otto soltou um “foda-se” arrastado e riu de novo, olhos escuros brilhando de putaria.

— Eu também, caralho. Estou a latejar tanto que dói. Quero te chupar até tu xingares em carioca, quero meter a língua no teu rabo suado, quero te foder contra a primeira parede que aparecer. Estamos os dois doidos. Completamente tarados um pelo outro depois de… o quê? Meia hora e três cervejas?

— Quarenta minutos e eu já te daria o cu no meio da praia se pedisse educado — Gideon devolveu, rindo, e roubou outro beijo molhado, chupando a língua de Otto devagar, provocando. — Chega de bar. Meu apê fica a dois quarteirões daqui. Escada apertada, ventilador quebrado, cama que range. Vamos agora antes que eu te faça gozar na mão aqui mesmo e a gente vire meme do bar.

Otto não precisou ser convidado duas vezes. Tirou a mão de dentro da bermuda de Gideon só o tempo de ajeitar o próprio pau pra ele não furar a calça na saída, mas já no primeiro passo os dois estavam colados de novo. Saíram pelo lado menos iluminado, o mar batendo mais forte agora, o cheiro de sal e porra no ar. A rua lateral era estreita, prédios baixos, portão de ferro enferrujado que Gideon abriu com a chave que tirou do bolso da bermuda sem nunca soltar a cintura de Otto.

No segundo que a porta do prédio se fechou atrás deles a luz fraca do corredor amarelo caiu sobre os corpos suados. Gideon empurrou Otto contra a parede da escada e voltou a beijar, agora com as duas mãos livres, abrindo a camisa de linho de uma vez, botões estourando, peito peludo aparecendo, mamilos duros. Otto puxou a regata de Gideon pra cima até o peito tatuado ficar exposto e chupou um mamilo com força, dente roçando, língua girando, enquanto a mão direita já descia de novo e enfiava por dentro da bermuda, dedos fechando em volta do pau grosso e puxando a pele pra trás, espalhando o pré-gozo.

— Sobe — mandou Gideon entre gemidos, rindo mesmo com a voz falhando. — Se a gente ficar aqui o porteiro vai achar que é filme pornô grátis.

Subiram as escadas aos tropeços, beijando o tempo todo, línguas se caçando, risadas baixas cada vez que um esbarrava no corrimão ou o joelho batia no degrau. As mãos já estavam oficialmente dentro das bermudas um do outro: a de Otto apertando e masturbando o pau de Gideon por baixo do tecido, polegar esfregando a fenda úmida, a de Gideon enfiada na calça aberta de Otto, dedos longos rodeando as bolas pesadas e subindo pelo pau grosso até apertar a cabeça, sentindo o português tremer e gemer no sotaque mais safado do mundo.

No meio do segundo lanço de escada Otto parou Gideon contra o corrimão, puxou a bermuda dele um pouco pra baixo e olhou o pau saltar grosso, veias saltadas, cabeça brilhando de tesão. Lambeu os lábios, riu daquela forma suja, e falou baixinho:

— Olha o tamanho da tua caipirinha particular, caralho. Vai caber inteira na minha garganta depois. Mas agora só um gostinho…

Passou a língua devagar só na glande, chupou a gota de pré-porra com barulho obsceno, e Gideon quase gozou ali mesmo, gemendo alto, mão enfiada no cabelo do português.

— Filho da puta… sobe logo ou eu te fodo nessa escada e foda-se o vizinho.

Otto riu com a boca ainda no pau, deu mais uma chupada molhada e subiu de novo, beijando a barriga suada de Gideon no caminho, a mão ainda dentro da bermuda massageando. Continuaram subindo, degrau por degrau, mãos explorando sem pressa e com toda a pressa do mundo: dedos no rabo um do outro, unhas roçando a entrada, paus sendo apertados e soltos, beijos que viravam mordidas no pescoço, confissões baixas entre risadas.

— Eu vou te comer tão gostoso que tu vai esquecer Lisboa existe — prometeu Gideon, voz falhando quando Otto apertou as bolas dele por dentro da bermuda.

— E eu vou te cavalgar até tu pedires mercê em português de novela — devolveu Otto, rindo, enfiando dois dedos por baixo das bolas de Gideon e pressionando o períneo só pra ouvir o gemido.

No último patamar, já em frente à porta do apartamento, os dois estavam destruídos de tesão: bermudas abaixadas o suficiente pra mostrar a base dos paus, camisas abertas ou puxadas, peitos suados colados, bocas vermelhas e brilhantes de saliva. Gideon conseguiu encaixar a chave na fechadura com a mão trêmula enquanto Otto masturbava os dois paus juntos por cima da roupa restante, glande roçando glande, pré-porra misturando.

A porta cedeu. Eles entraram ainda se beijando, ainda com as mãos enfiadas um no outro, o ventilador quebrado rodando devagar no teto e a cama de casal no fundo do quarto pequeno parecendo o único destino possível. Mas nenhum dos dois fechou a porta com pressa demais — a noite ainda era longa, o tesão só tinha engrossado, e o próximo round já latejava entre as pernas deles como uma promessa suja que ainda não tinha sido cobrada por completo.

A porta bateu atrás deles com um estalo preguiçoso e no segundo seguinte Gideon já empurrava Otto contra a parede do quarto pequenininho, a boca ainda colada na dele, língua molhada invadindo, barba raspando. O ventilador quebrado girava devagar no teto, mexendo o ar quente e o cheiro de suor e cerveja que os dois carregavam da rua. Gideon ajoelhou sem cerimônia, puxando a calça clara e a cueca de Otto num só movimento brusco. O pau grosso saltou pesado, veias saltadas, cabeça brilhando de pré-porra, e Gideon soltou um assobio baixo.

— Porra, português… isso aqui é arma branca. Vou precisar de licença pra carregar.

Otto riu rouco, a nuca batendo na parede, e enfiou as mãos no cabelo curto de Gideon.

— Então carrega com a boca, caralho. Engole.

Gideon não precisou de convite. Abriu a boca e engoliu o pau de uma vez, a glande batendo fundo na garganta, nariz enterrado no mato escuro. O gosto salgado explodiu na língua dele, quente, grosso, e ele chupou com vontade de quem tava faminto fazia séculos — bochechas fundas, saliva escorrendo pelo queixo, mão apertando as bolas pesadas enquanto a cabeça ia e voltava no ritmo safado. Otto gemeu alto, o sotaque virando xingamento gostoso.

— Foda-se… assim… mais fundo, carioca tarado. A tua garganta é um puto de um milagre.

Gideon engoliu até o fundo de novo, sentindo o pau latejar contra a garganta, e riu com a boca cheia, o vibração arrancando outro gemido de Otto. Os dedos do português puxavam o cabelo dele, guiando sem força demais, quadris empurrando devagar. Suor escorria pelo peito peludo de Otto, pingava no ombro tatuado de Gideon. O carioca chupava com barulho obsceno, língua rodando na cabeça cada vez que subia, cuspe brilhando no pau grosso, e pensava puta que pariu, se eu gozar só de chupar esse sotaque ninguém pode me julgar. Tirou a boca só o tempo de lamber as bolas e cuspir na rola inteira.

— Tá gostoso pra caralho. Lisboa manda bem mesmo. Se eu continuar assim tu goza na minha cara antes da gente chegar na cama, hein?

— Então para e sobe — Otto puxou ele pra cima, beijando a boca molhada de saliva e pau, lambendo o próprio gosto nos lábios de Gideon. — Quero teu cu agora. Vira.

Gideon riu, já se livrando da bermuda e da regata de uma vez, o pau dele batendo duro contra a barriga. Otto empurrou o carioca de quatro na cama que rangeu alto, o colchão barato reclamando. As mãos grandes abriram as nádegas suadas de Gideon e a língua entrou faminta direto no cu. Gideon gritou um “porra” abafado no travesseiro, o corpo inteiro arrepiando.

Otto lambeu com fome de cachorro doido — língua larga, molhada, entrando e saindo, cuspe escorrendo, dente roçando de leve a borda sensível. Chupava o buraco como se fosse a melhor refeição da vida, barba molhada de saliva, gemendo contra a carne.

— Que cu gostoso, caralho. Tá se contraindo na minha língua. Tu treinas isso ou é defeito de fábrica carioca?

— Defeito de fábrica e orgulho — Gideon riu entre gemidos, empurrando o rabo pra trás. — Chupa mais fundo, português safado. Mete a língua até eu esquecer meu nome.

Otto obedeceu, enfiando a língua o mais fundo que deu, depois dois dedos babados, abrindo, procurando. Quando achou a próstata Gideon quase pulou da cama, rindo e xingando ao mesmo tempo. Otto se ajoelhou atrás, passou a cabeça do pau grosso no buraco molhado, espalhando o pré-gozo, e empurrou devagar. A rola entrou pesada, centímetro por centímetro, abrindo Gideon até o fundo. Os dois gemeram juntos, suados, o quarto inteiro cheirando a sexo.

— Meu Deus… que aperto do caralho — Otto soltou, começando a meter com força em posição de cachorrinho, mãos agarradas nos quadris de Gideon, a cama rangendo num ritmo obsceno. — Tá me engolindo inteiro. Tu foi feito pra levar pau português, hein?

Gideon rebolava de volta, sentindo cada veia, cada estocada batendo fundo. Ria mesmo ofegante.

— Foi. E tu foi feito pra foder carioca suado. Mete mais forte, Otto. Quero sentir amanhã quando for cagar.

Otto deu uma palmada na bunda dele e acelerou, o pau saindo quase inteiro e enterrando de novo com um barulho molhado de pele batendo em pele. Suor escorria pelas costas tatuadas de Gideon, pingava no lençol. Os dois gemiam alto sem vergonha — o prédio que se foda. Otto se inclinava pra morder o ombro dele, sotaque sujo no ouvido:

— Gostas assim? Gostas de levar no cu enquanto eu te chamo de putinha da praia?

— Adoro, caralho — Gideon riu alto, a voz falhando. — Continua. Fala mais merda. Me fode e me faz rir ao mesmo tempo que eu gozo melhor.

Otto puxou ele pra trás até o peito colar nas costas, a mão descendo pra bater punheta no pau de Gideon no mesmo ritmo das estocadas. Depois virou o corpo do carioca sem sair de dentro, deitando-o de costas na cama em missionário. As pernas de Gideon abriram largas, joelhos dobrados, e Otto meteu de novo fundo, agora cara a cara. Beijaram-se molhado, línguas preguiçosas e famintas ao mesmo tempo, rindo no meio do beijo cada vez que a cama dava um estalo mais alto.

— Essa cama vai desmontar — Otto resmungou rindo, suando pra caralho, gotas caindo no peito de Gideon. — E eu ainda nem te fiz gozar direito.

— Deixa desmontar. A gente fode no chão depois — Gideon puxou a barba dele pra outro beijo, rebolando pra cima, engolindo o pau com o cu. — Olha só a nossa cara. Dois tarados suados. Se a minha mãe visse isso ela pedia o divórcio do meu pai só de inveja.

Otto soltou uma gargalhada rouca que vibrou no peito dos dois e meteu mais fundo, mais rápido, o atrito perfeito, as bolas batendo. Os corpos escorregavam um no outro de tanto suor. Gideon enfiava as unhas nas costas largas dele, gemendo alto, o pau preso entre as barrigas latejando. Otto alternava: saía quase todo, entrava devagar provocando, depois fodia forte de novo, o sotaque virando confissão suja.

— Eu podia ficar o resto da vida a foder este cu. É melhor que pastel de nata. É melhor que futebol. É melhor que tudo que Lisboa tem.

— Porra, compara meu cu com pastel de nata de novo e eu te mando embora — Gideon riu, puxando as pernas dele pra cima, pedindo mais fundo. — Brincadeira. Compara o quanto quiser. Só não para.

Eles se beijavam entre uma piada e outra, bocas abertas, saliva misturada, rindo quando o joelho de um escorregava ou quando o ventilador fazia um barulho ridículo. O tesão era igual dos dois lados — nenhum mandava sozinho, nenhum só recebia. Otto tirava o pau, virava Gideon de lado, metia de novo, depois voltava pro missionário só pra poder chupar a língua dele enquanto fodia. Gideon rebolava por baixo, apertava o cu de propósito, arrancava gemidos do português e soltava:

— Assim… isso… tu fode que nem carioca já. Tô te ensinando bem.

— Cala a boca e beija — Otto devolveu, rindo, mas a voz saía falha de prazer.

Os corpos batiam molhados, gemidos altos enchendo o quarto pequeno, o cheiro de sexo grosso no ar. Gideon sentia o pau dele esfregar na barriga suada de Otto a cada estocada, perto demais, o tesão subindo perigoso. Otto também tremia, o ritmo ficando irregular, as mãos apertando as coxas de Gideon com força. Eles se olhavam e riam de novo, o tipo de riso que só sai quando o corpo tá no limite e a cabeça ainda quer brincar.

— Se eu gozar agora tu me deixa te chupar de novo depois? — perguntou Gideon, ofegante, suado pra caralho, o cabelo colado na testa.

— Goza e eu decido. Ou não goza. Aguenta mais um pouco, caralho. Quero te ver pedindo.

Otto puxou quase todo o pau pra fora, só a cabeça dentro, e empurrou devagar de novo, provocando, rindo quando Gideon xingou. O carioca puxou ele pra baixo, beijou fundo, mordendo o lábio inferior.

— Safado. Continua. Me fode até a gente não aguentar mais e aí a gente troca. Eu quero teu cu também antes do sol nascer.

Otto meteu fundo outra vez, o corpo inteiro colado, suado, gemendo no ouvido de Gideon enquanto a cama gemia junto. O tesão não baixava — só engrossava, quente, molhado, os dois ainda inteiros, ainda rindo entre um gemido e outro, ainda com fome pra caralho um do outro. O pau de Otto latejava dentro, o de Gideon latejava entre eles, e nenhum dos dois estava pronto pra parar. A noite ainda tinha horas, o ventilador ainda fazia aquele barulho ridículo, e o próximo round já pedia passagem entre as pernas suadas deles, a tensão pulsando aberta, pronta pra explodir de novo assim que um dos dois decidisse quem ia gozar primeiro — ou se os dois iam aguentar mais um pouco só pra ver quem ria por último.

Otto ainda metia fundo, o pau grosso latejando dentro do cu apertado de Gideon, os dois suados pra caralho, a cama rangendo como se fosse desabar a qualquer segundo. O ventilador quebrado fazia aquele barulho ridículo de ferro velho, e Gideon ria ofegante entre um gemido e outro, unhas cravadas nas costas largas do português.

— Troca — pediu o carioca, voz rouca de tesão. — Quero te cavalgar até o fim, Otto. Quero sentir esse pau português batendo na minha próstata enquanto eu mando no ritmo.

Otto riu, sotaque enrolado de prazer, e saiu devagar, a rola saindo molhada de saliva e pré-porra. Rolou de costas na cama, o peito peludo subindo e descendo rápido, o pau empinado apontando pro teto como um convite safado. Gideon não perdeu tempo. Subiu em cima, joelhos de cada lado dos quadris dele, uma mão guiando a cabeça grossa até o buraco ainda aberto e babado. Desceu devagar, sentindo cada centímetro abrir de novo, o aperto gostoso fazendo os dois gemerem juntos.

— Porra… — Gideon soltou, rebolando pra encaixar tudo até o fundo. O cu engoliu a rola inteira, as bolas de Otto encostando na bunda suada dele. — Que pau gostoso, caralho. Lisboa manda bem mesmo.

Começou a cavalgar. Subia quase até a ponta sair e descia forte, o barulho molhado de pele batendo em pele enchendo o quarto pequeno. Otto segurava os quadris dele com as duas mãos, empurrando pra cima no mesmo ritmo, o peito peludo colado na barriga tatuada de Gideon a cada descida. Suor escorria pelo pescoço do carioca, pingava no peito do português. Eles se beijavam torto, línguas preguiçosas, rindo no meio do beijo cada vez que a cama dava um estalo mais alto ou o ventilador chiava.

— Assim, carioca tarado — Otto gemeu, sotaque mais grosso de tesão. — Rebola nesse pau. Me usa. Quero ver essa bunda gostosa engolindo tudo.

Gideon acelerou, rebolando em círculos, apertando o cu de propósito só pra ouvir o português xingar. A mão direita desceu e bateu punheta no próprio pau, o polegar esfregando a fenda úmida, pré-porra escorrendo pelos dedos. O tesão subia quente pela espinha, as bolas pesadas, o cu latejando a cada estocada de baixo. Otto metia pra cima com força, a barba raspando o peito de Gideon quando ele se inclinava pra chupar um mamilo.

— Tô perto — avisou Gideon, voz falhando, o corpo inteiro tremendo. — Porra, Otto… teu pau tá me fudendo tão gostoso que eu vou gozar sem parar de rir.

— Goza então, caralho — Otto devolveu, rindo rouco, as mãos apertando a bunda dele e abrindo as nádegas pra meter ainda mais fundo. — Goza nesse pau. Quero sentir teu cu se contraindo em volta de mim quando eu encher tu de porra.

Gideon desceu forte uma última vez, o pau dele explodindo entre os corpos. Jatos quentes de porra sujaram a barriga peluda de Otto, o peito, até o queixo. O cu apertou em espasmos gostosos em volta da rola grossa, e isso bastou. Otto gozou logo atrás, gemendo alto no sotaque mais safado do mundo, o pau latejando fundo, enchendo o cu de Gideon de porra quente e espessa. Os dois tremeram juntos, rebolando devagar pra prolongar, o orgasmo rolando em ondas, suor escorrendo, risadas abafadas misturadas com gemidos.

Gideon caiu pro lado, o pau ainda pingando, a porra de Otto escorrendo devagar pelo cu e pela coxa. Os dois ofegavam, rindo sem fôlego, corpos colados e melados. Foi aí que Gideon sentiu o frio molhado nas costas.

— Que porra é essa? — ele se virou e viu a lata de cerveja deitada no meio da cama, o líquido dourado se espalhando pelo lençol barato, molhando o travesseiro, escorrendo pra beira do colchão. — Caralho, Otto. A gente derrubou a porra da cerveja.

Otto olhou, a barba ainda suja de porra e suor, e soltou uma gargalhada alta que ecoou no quarto pequenininho. Gideon riu junto, o tipo de riso que dói na barriga, os dois nus, melados de gozo e agora de cerveja gelada que já esquentava no calor do Rio.

— Foda-se — Otto conseguiu falar entre risadas, enxugando o olho. — A gente fodeu tão forte que até a latinha desistiu. Olha o estado dessa cama. Parece que passou um furacão de tesão e álcool.

Gideon pegou a lata ainda meio cheia, bebeu o resto quente e fez careta.

— Tá quente que nem mijo de camelo. Mas espera aí…

Ele se levantou nu, o pau mole balançando, a porra escorrendo pela perna interna, e foi até a geladeira minúscula do canto da cozinha. Voltou com a última latinha gelada, o metal suando na mão. Deitou de novo ao lado de Otto, os dois de lado, peitos colados, pernas trançadas. Abriu a lata com um estalo gostoso e bebeu um gole longo antes de passar pro português.

— Divide comigo, safado. Última gelada da noite.

Otto aceitou, bebeu, a garganta subindo e descendo, e devolveu a lata. A mão livre dele subiu pelas costas tatuadas de Gideon, traçando a onda e a âncora torta com o polegar preguiçoso. Os corpos ainda quentes, o cheiro de sexo e cerveja misturado com o sal que vinha da janela aberta. Lá fora o mar batia longe, o verão carioca ainda abafado mesmo de madrugada.

— Essa noite foi… — Otto começou, sotaque mais calmo agora, a voz rouca de tanto gemer. — Foi melhor que qualquer coisa que eu planeei quando vim pro Rio. Tu fodes que nem um deus e ri no meio. Nunca tinha gozado rindo antes.

Gideon sorriu contra o peito peludo dele, lambendo uma gota de suor.

— E tu mete com sotaque de novela e ainda compara meu cu com pastel de nata. Vou te processar por isso. Mas… — Ele bebeu outro gole e passou de novo. — Amanhã a gente se encontra na praia. De dia. Sol forte, areia quente, aquele beijo demorado de novo. Só que dessa vez sem pressa de subir escada. Quero te beijar com gosto de água de coco e te foder de novo no banheiro de algum quiosque se der vontade. Combinado?

Otto riu baixo, o peito vibrando contra o de Gideon, e apertou o corpo do carioca mais pra perto. Os paus moles se tocavam de leve entre as barrigas, a porra secando grudenta na pele. Ele bebeu o último gole da lata e deixou a latinha vazia no chão, ao lado da cama destruída.

— Combinado. Beijo demorado na praia. E depois a gente vê se a cama aguentar outro round ou se a gente aluga um quarto de motel decente. Porque essa aqui… — Ele cutucou o lençol encharcado de cerveja e gozo. — Essa aqui já era.

Ficaram assim um tempo, nus, abraçados, o ventilador girando devagar, o suor esfriando devagar nos corpos. Gideon traçava círculos preguiçosos no peito de Otto, sentindo o coração desacelerar. A promessa pairava gostosa no ar quente — praia, beijo, mais sexo, mais risada. Parecia perfeito. A noite tinha sido exatamente o que o verão pedia: cerveja, tesão puro, dois tarados se pegando sem freio.

Mas quando o silêncio se alongou demais, algo deslocou. Otto ficou quieto de um jeito estranho, o polegar parando de desenhar nas costas de Gideon. O português olhou pro teto, a barba contra a testa do carioca, e a respiração dele mudou. Mais curta. Gideon sentiu o corpo do outro tensionar de leve, quase imperceptível.

— Que foi? — perguntou baixo, ainda abraçado, a voz brincalhona mas com um fio de dúvida.

Otto demorou a responder. Passou a língua no lábio seco, o sotaque saindo mais baixo, quase sem graça.

— Nada. Só… estou a pensar. Lisboa. O bilhete de volta é daqui a cinco dias. E eu… eu não vim pro Rio pra achar isto. Vim pra esquecer merda. E agora estou aqui, melado de ti, a prometer beijo na praia como se a gente tivesse tempo. Como se isto não fosse só cerveja e tesão de uma noite quente.

Gideon sentiu o estômago gelar um pouco, mesmo com o calor do quarto. A mão dele parou nas costas de Otto. O pau mole entre eles parecia de repente só carne cansada. A porra secando grudava desconfortável. A cerveja no estômago subiu azeda.

— Cinco dias — repetiu, tentando manter o tom leve, mas a frase saiu torta. — Dá pra foder muito em cinco dias, português. Dá pra beijar demorado todo dia se quiser.

Otto não riu. Apertou Gideon mais forte por um segundo, depois soltou um pouco, o olhar perdido no ventilador quebrado.

— Dá. Mas depois eu vou embora. E tu ficas. E eu volto pra chuva de Lisboa com gosto de cu carioca na boca e a certeza de que foi só isso. Uma noite monstra. Duas. Três. E aí acabou. Não sei se… se eu quero começar a gostar de mais.

O silêncio voltou, pesado agora. A cama molhada de cerveja grudava nas costas deles. O cheiro de sexo ainda forte, mas o tesão tinha ido embora, deixando só o cansaço e aquela ponta afiada de algo errado. Gideon ficou olhando a tatuagem da âncora no próprio braço, a palavra “depois” no coração cínico, e pela primeira vez na noite não soube o que responder com piada. O mar batia lá fora, indiferente. A promessa da praia ainda estava no ar, mas agora sabia a arrependimento antecipado — doce, sujo, e já um pouco estragado.

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