Revelação na Casa de Verão
Duas amigas confessam o desejo lésbico e devoram-se na espreguiçadeira.
O calor daquele verão entrava pela pele como se a casa inteira respirasse devagar. Eu tinha vinte e oito anos e, pela primeira vez em muito tempo, estava só com Clara na casa de veraneio da família dela, aquela construção branca de janelas largas debruçada sobre a piscina azul demais para ser real. Clara tinha trinta. Melhor amiga desde a faculdade. A mulher que eu conhecia de cor e, ainda assim, naquela tarde, parecia outra pessoa — ou eu é que finalmente estava enxergando o que sempre esteve ali.
Deitadas nas espreguiçadeiras, de biquíni, com o sol batendo nos ombros e o cheiro de cloro misturado ao de protetor solar barato, a conversa começou leve. Fofoca de gente que a gente mal via. Reclamações de trabalho. Silêncios confortáveis que, de repente, deixaram de ser só confortáveis. Eu observava o perfil dela: o nariz pequeno, a boca cheia, o cabelo escuro preso num coque frouxo que soltava mechas grudadas no pescoço suado. O decote do biquíni preto dela marcava os seios de um jeito que eu já tinha notado mil vezes e fingido não notar.
— Miriam — ela disse, sem olhar pra mim de imediato, a voz baixa —, você já reparou como a gente fica quieta demais quando está só as duas?
Eu ri, nervosa, e ajeitei o óculos escuros no rosto mesmo sem precisar. O meu nome na boca dela sempre soava diferente.
— Repartei. Acho que a gente... poupa certas coisas uma da outra.
Clara virou o rosto. Os olhos castanhos dela brilhavam sob a sombra da latada. Havia um sorriso torto, quase tímido, o que era ridículo porque Clara nunca fora tímida comigo. Até aquele momento.
— Que coisas? — perguntou.
O peito apertou. Eu poderia ter mudado de assunto. Poderia ter falado do jantar, da viagem de volta, de qualquer merda. Mas o calor fazia a cabeça mole e a honestidade vinha fácil demais, como suor.
— Coisas que amiga de verdade talvez não devesse sentir — respondi, e a frase saiu mais rouca do que eu pretendia.
Ela não riu. Não desviou o olhar. Só ficou me encarando, o polegar desenhando círculos lentos na borda da espreguiçadeira de vime. Eu via a garganta dela se mexer quando engolia em seco. O ar entre nós ficou grosso, carregado, como antes de uma tempestade que a gente sabe que vai molhar tudo.
— Então você também sente — murmurou ela.
Não foi pergunta. Foi confissão.
Eu tirei os óculos. Queria que ela visse meu rosto inteiro. Queria que não restasse dúvida.
— Há anos, Clara. Anos. Desde aquela festa no terceiro ano, quando você dançou grudada em mim de brincadeira e eu passei a noite inteira molhada, com vergonha de mim mesma. Desde todas as vezes em que a gente dividiu cama e eu fiquei acordada ouvindo sua respiração, imaginando como seria virar e beijar sua boca. Eu achava que era só... sei lá. Confusão. Amizade forte demais. Mas não era.
Ela soltou o ar num sopro longo, como se tivesse segurado a respiração a vida toda. Levantou um pouco o corpo, apoiando-se no cotovelo, e o biquíni subiu, revelando a curva macia da barriga e o começo da calcinha. Eu não disfarcei o olhar. Ela viu. E não se cobriu.
— Eu também — disse, a voz embargada de algo quente. — Porra, Miriam. Eu te olhava no espelho do banheiro quando a gente se maquiava juntas e pensava em te puxar pela cintura. Em te lamber o pescoço. Em te ouvir gemer o meu nome. Ficava puta de raiva de mim mesma depois, porque você era minha melhor amiga. A única pessoa que eu confiava de verdade. E ao mesmo tempo... caralho... eu te desejava tanto que doía.
O coração batia na garganta. Eu me sentei na espreguiçadeira, virando o corpo inteiro na direção dela, as pernas dobradas de lado. Nossos joelhos quase se tocavam. Quase. Aproximação mínima e ainda assim elétrica.
— Então a gente passou anos fingindo — falei, e soltei uma risada curta, descrente. — Elogiando o cabelo uma da outra, o corpo, o jeito de vestir, tudo com essa camada de “amiga, você está linda” quando o que a gente queria era meter a mão por baixo da roupa.
Clara sorriu de verdade, os dentes aparecendo, o olhar escurecendo de um jeito que eu nunca tinha visto dirigido a mim — ou talvez tivesse visto e me recusado a nomear.
— Você está linda agora — disse ela, sem a camada. Direto. Crú. — O sol nessa pele. Esse biquíni azul apertando seus peitos. Eu fico olhando e pensando em puxar o nó daquele laço e chupar seus mamilos até você tremer.
O calor desceu direto pra entre minhas pernas. Eu apertei as coxas uma na outra, sentindo a calcinha já úmida grudar na pele. Não havia mais como fingir que aquilo era só conversa.
— Porra, Clara... — murmurei. — Você não faz ideia do que essa boca sua fazendo esse tipo de frase faz comigo.
— Acho que faço — retrucou ela, inclinando-se um pouco mais. O cheiro dela chegou forte: protetor, suor doce, um perfume leve de jasmim que ela usava desde sempre. — Porque eu tô molhada só de admitir. Só de te ver me olhando desse jeito. Como se quisesse me comer aqui mesmo, na frente de todo mundo que não está.
Nós duas rimos, baixinho, nervosas e excitadas ao mesmo tempo. A piscina fazia ploc-ploc suave. Lá fora, cigarras gritavam no mato seco. Dentro daquele círculo de sol e confissão, o mundo tinha encolhido para o espaço entre nossas bocas e nossos corpos quase se tocando.
Eu estendi a mão. Devagar. Os dedos tocaram o dorso da mão dela, depois escorregaram até o pulso, sentindo o pulso acelerado sob a pele quente. Ela virou a mão e entrelaçou os dedos nos meus. O contato simples mandou um calafrio subindo pelo meu braço até o peito.
— A gente sempre soube, né? — perguntei, a voz quase um sussurro. — Nos olhares demorados. Nos abraços que duravam um segundo a mais. Nas vezes em que eu te elogiava a bunda “de zoas” e você corava.
— Eu corava porque ficava molhada — confessou ela, sem vergonha agora. — E você, sua safada, fazia de propósito. Apertava meu braço, encostava o peito no meu quando ria. Eu achava que estava louca.
— Não estava.
Ficamos em silêncio por um tempo, só nos olhando, os polegares acariciando um ao outro em círculos lentos, cada vez mais íntimos. Eu via o peito dela subir e descer mais rápido. Via o mamilo endurecido marcar o tecido molhado do biquíni. Minha própria respiração estava irregular. A tensão não era mais só no ar — estava sob a pele, latejando, pedindo passagem.
Clara soltou minha mão só para erguer os dedos até meu rosto. O toque foi leve na maçã do rosto, depois desceu pela mandíbula, parando perto do canto da minha boca. Eu abri os lábios sem pensar, o coração disparado.
— Se eu te beijar agora — ela falou, baixinho, os olhos fixos na minha boca —, a gente não para mais. Você sabe disso, né?
— Eu sei — respondi. A honestidade saía fácil demais naquele calor. — E eu quero. Porra, Clara, eu quero tanto que dói aqui — apontei o peito — e mais embaixo ainda. Mas se a gente começar...
— A gente devora uma à outra nessa espreguiçadeira — completou ela, a voz rouca de desejo puro. — Eu te chupo inteira. Você me fode com os dedos até eu gritar. A gente vai sujar essa toalha e não vai se importar.
O gemido que escapou da minha garganta foi baixo, vergonhoso e delicioso. Eu apertei as pernas com mais força, sentindo o formigamento quente se espalhar. Clara notou. O sorriso dela ficou mais sujo, mais consciente do poder que tinha sobre mim naquele instante.
— Olha pra você — sussurrou. — Já toda molhadinha só de conversa. Eu quero ver. Quero enfiar a mão aí e confirmar com os dedos o que sua cara já tá gritando.
Eu engoli em seco. O sol batia no ombro dela, fazendo a pele brilhar. Eu queria lamber aquele brilho. Queria morder o ombro, descer, abrir as pernas dela com as mãos e enfiar a língua onde ela mais precisava. A imagem veio nítida demais, e eu balancei a cabeça, rindo de mim mesma, ofegante.
— A gente tá brincando com fogo — falei.
— Então queima — respondeu ela. — Eu cansei de fingir que não te quero. Cansei de gozar sozinha pensando na sua boca. Cansei de te mandar mensagem de boa noite quando o que eu queria era te ter na minha cama, de quatro, me pedindo pra foder mais fundo.
As palavras dela entraram em mim como dedos. Eu me movi na espreguiçadeira, incapaz de ficar parada, o biquíni encharcado de um jeito impossível de esconder. Clara olhou pra baixo, entre minhas pernas, e lambeu o lábio inferior devagar, deliberado.
— Vem cá — pediu ela, batendo de leve na própria espreguiçadeira, no espaço estreito ao lado do corpo. — Só deita um pouco comigo. Sem pressa. Eu quero sentir seu cheiro de perto. Quero sua perna encostando na minha. Quero conversar olho no olho enquanto a gente se toca por cima da roupa... por enquanto.
O “por enquanto” ficou pairando entre nós como uma promessa suja. Eu hesitei só o tempo de um batimento cardíaco. Depois me levantei. As pernas tremiam um pouco — ridículo e excitante. Cruzei os poucos passos que nos separavam. Clara se afastou só o suficiente para eu caber. Quando me deitei de lado, de frente pra ela, nossos corpos se alinharam: peito contra peito quase, barriga contra barriga, coxas se tocando num calor úmido e imediato.
O primeiro contato de pele com pele, ainda por cima do tecido fino dos biquínis, fez as duas soltarem o ar ao mesmo tempo. A mão dela foi parar na minha cintura, os dedos escorregando sob a tira do biquíni, acariciando a pele nua da minha costa. A minha mão encontrou o quadril dela, apertando com uma posse que eu nunca tinha me permitido.
— Porra — respirei contra a boca dela, tão perto que sentia o hálito quente. — Como a gente aguentou tanto tempo?
— Não aguentei — confessou Clara, a voz falhando. — Eu só escondi melhor. Mas agora você tá aqui. Sozinhas. Sem ninguém pra interromper. E eu não quero mais esconder porra nenhuma.
Os narizes se roçaram. Os lábios quase se encontraram — quase. O quase doía mais do que qualquer beijo. Eu sentia o peito dela subindo contra o meu, os mamilos duros se esfregando de leve a cada respiração. Entre as pernas, o pulsar era constante, insistente. A mão dela desceu um pouco mais, da cintura pro começo da bunda, apertando a carne por cima do tecido.
— Eu vou te beijar — avisou ela, os olhos semicerrados de desejo. — E quando eu beijar, Miriam, eu quero que você abra a boca e me deixe entrar. Quero ouvir você gemer no meu peito. Quero que essa conversa vire gemido. Que essa confissão vire língua e dedo e gozo. Você topa?
Eu balancei a cabeça que sim, incapaz de formar palavras por um segundo. Depois consegui:
— Topo. Mas se você me beijar agora, eu não respondo por mim. Eu vou te comer inteira nessa cadeira. Vou lamber cada centímetro. Vou te foder com a boca até você esquecer o próprio nome.
O sorriso dela foi o mais lindo e o mais safado que eu já tinha visto.
— Então faz — sussurrou. — Mas primeiro... me beija. Devagar. Como quem confessa de verdade.
Nossas frentes se tocaram. O mundo reduziu-se ao cheiro dela, ao calor da pele, ao atrito quase doloroso das coxas. Eu ainda não tinha beijado aquela boca. Ainda não tinha cruzado a linha de vez. Mas a linha já não existia — tinha derretido no sol daquela casa de verão, nas confissões molhadas, nos olhares que agora não se desviavam mais.
A mão dela subiu pelas minhas costas até a nuca, puxando de leve. Eu fechei os olhos. O coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ela ouvia. A respiração dela misturou-se à minha. E, no segundo antes dos lábios se encontrarem de verdade, eu soube — com a clareza quente e suja de quem finalmente para de mentir — que nada entre nós voltaria a ser só amizade.
A tensão latejava entre as pernas, nos peitos esmagados um contra o outro, na boca entreaberta esperando. Clara respirou meu nome contra meus lábios. Eu apertei o quadril dela com força, puxando-a ainda mais pra perto, sentindo o calor molhado dela grudar no meu.
E o verão, finalmente, começou de verdade.
Nós rimos. Foi um riso curto, nervoso, quase um soluço compartilhado, o tipo de risada que escapa quando o peito está apertado demais e a boca já treme de vontade. O som saiu abafado entre nossos rostos, quente, misturado ao cheiro de cloro e jasmim e pele suada. Clara riu primeiro, os ombros abanando de leve contra os meus, e eu acompanhei, incapaz de conter, o coração martelando tão forte que eu tinha certeza de que ela sentia pelo peito colado ao dela.
— Porra — murmurei, ainda rindo, a testa encostada na dela —, a gente é patética.
— Completamente — ela concordou, a voz rouca de riso e desejo. — Anos fingindo e agora eu tô tremendo igual menina.
Os dedos dela desceram. Devagar. Saíram da minha nuca, deslizaram pela coluna, contornaram a cintura e foram parar na minha coxa. A palma aberta, quente, pressionando a pele nua logo acima do joelho. Eu arrepiei inteira. Depois os dedos subiram, roçando a parte interna, onde a pele estava mais sensível, mais quente, já brilhando de suor e de outra umidade que não tinha nada a ver com a piscina. Clara parou bem ali, no tecido molhado da calcinha do biquíni, e esfregou de leve, só a ponta dos dedos, confirmando o óbvio.
— Olha isso — sussurrou ela, o sorriso sumindo, o olhar escurecendo. — Tá encharcada, Miriam. Só de conversa. Só de ficar assim colada em mim.
Eu gemi baixo, abrindo um pouco as pernas sem nem perceber, empurrando o quadril contra a mão dela. O tecido fino grudava, traía cada pulsar. Retribuí no mesmo instante. Minha mão desceu pelo quadril dela, contornou a curva da bunda e encontrou a coxa macia, subindo por dentro até sentir o calor úmido da calcinha preta. Clara estava igualmente molhada. O dedo médio meu deslizou por cima do tecido, sentindo o inchaço, o quente, o desejo literal escorrendo.
— Eu quero te provar — confessei, a voz saindo rouca, direta, sem filtro nenhum. Os olhos nos dela. — Quero lamber isso aqui até você gozar na minha boca. Quero o gosto de você na língua, Clara. Quero chupar teu clitóris inchado enquanto você puxa meu cabelo e grita meu nome. Eu penso nisso há anos. Acordo de madrugada molhada sonhando com o cheiro da tua buceta. Agora que você tá aqui, assim, eu não aguento mais só imaginar.
Ela soltou um gemido gutural, os dedos apertando mais forte minha coxa, esfregando de cima a baixo o tecido encharcado. O polegar dela encontrou meu clitóris por cima da calcinha e fez círculos lentos, precisos, enquanto eu fazia o mesmo nela. Nossas respirações se embaralharam. Os peitos subiam e desciam juntos, mamilos duros roçando um no outro a cada movimento mínimo.
— Então prova — ela pediu, quase um ronco. — Mas primeiro me beija de verdade. Agora.
O beijo começou leve. Lábios se tocando com cuidado, como se ainda houvesse alguma linha invisível para respeitar. Foi só um roçar, quente, úmido, o lábio inferior dela capturando o meu por um segundo. Eu senti o gosto de protetor solar e de algo doce que era só dela. Depois ela abriu a boca. Eu abri a minha. E o leve virou fome num piscar de olhos.
As línguas se encontraram no meio, se enroscaram, se chuparam. Clara gemeu dentro da minha boca e eu engoli o som, respondendo com outro gemido mais alto, a mão na nuca dela puxando com força, a outra ainda entre as pernas dela, massageando a buceta molhada por cima do biquíni. A língua dela era quente, insistente, explorando cada canto, chupando a minha, mordiscando meu lábio inferior até doer gostoso. Eu retribuí com a mesma fome, chupando a língua dela, gemendo cada vez que o polegar dela apertava meu clitóris. O beijo ficou bagunçado, saliva escorrendo pelo canto da boca, dentes batendo de leve, respiração quente e desesperada.
— Porra, Miriam — ela ofegou contra minha boca, sem se afastar de verdade —, tua língua... caralho...
Eu não respondi com palavras. Empurrei o quadril pra frente, esfregando minha coxa na dela, e puxei o laço do biquíni dela nas costas. O nó desfez fácil. O top preto caiu entre nós, revelando os seios cheios, os mamilos escuros e duros, brilhando de suor. Clara gemeu alto quando o ar quente tocou a pele nua. Eu abaixei a cabeça sem pensar e chupei um mamilo, forte, a língua girando, os dentes roçando de leve. Ela arqueou as costas, a mão enfiada no meu cabelo, puxando.
— Tirar o teu também — exigiu ela, ofegante. — Quero teus peitos na minha boca agora.
Enquanto eu lambia e chupava, ela puxou as tiras do meu biquíni azul. O nó na nuca desfez, depois o das costas. Meus seios saltaram livres, pesados, os mamilos latejando. Clara não perdeu tempo. Trocamos de posição num embalo desajeitado e delicioso na espreguiçadeira estreita: ela se debruçou e engoliu meu peito inteiro, chupando com fome, a língua batendo rápido no mamilo enquanto a mão apertava o outro. Eu gemia sem vergonha, a cabeça jogada pra trás, o sol quente no rosto, o cheiro dela subindo forte.
— Assim — eu gemia. — Chupa mais forte... porra, Clara...
As mãos dela desceram e puxaram a calcinha do meu biquíni pelos quadris. Eu levantei o bumbum pra ajudar, a perna tremendo. O tecido molhado deslizou pelas coxas, pelos joelhos, e ela jogaou pro lado, no chão quente. Eu estava nua. Completamente. O ar da tarde tocou minha buceta exposta e eu gemi só com isso. Clara olhou pra baixo, entre minhas pernas abertas, e lambeu os lábios devagar, os olhos pretos de tesão.
— Olha pra essa buceta — murmurou, a voz embargada. — Tá pingando, Miriam. Tá aberta, rosada, pedindo língua. Eu vou te devorar.
Mas antes eu retribuí. Puxei a calcinha dela com as duas mãos, descendo o tecido preto pelas coxas grossas, sentindo o cheiro forte, o musgo quente dela. A calcinha saiu encharcada, brilhando. Clara ficou nua também. Peluda no meio, o clitóris inchado aparecendo entre os lábios molhados, uma gota escorrendo pela dobra da coxa. Eu não resisti. Passei o dedo ali, coletando o líquido grosso, e levei à boca na frente dela. O gosto explodiu na língua: salgado, doce, puro Clara. Eu gemi alto enquanto chupava o próprio dedo.
— Porra — ela sussurrou, os olhos arregalados de tesão. — Faz de novo. Me prova de verdade.
Nossas bocas se encontraram de novo, famintas, enquanto as mãos exploravam tudo agora sem barreira. Eu enfiei dois dedos entre as pernas dela, deslizando fácil na umidade, sentindo as paredes quentes se contraírem. Clara gemeu dentro do beijo e fez o mesmo: dois dedos grossos entrando em mim de uma vez, curvando, procurando o ponto certo. Nós duas gememos juntas, o som abafado pelas línguas enroscadas. Os corpos se esfregavam, seios contra seios, barrigas suadas, coxas abertas, dedos fodendo devagar e fundo.
— Mais — eu pedia entre beijos, a voz quebrada. — Fode mais fundo, Clara... assim... porra, teus dedos...
— Você tá tão apertada — ela gemia de volta, mordendo meu lábio. — Tão molhada que escorre na minha mão. Eu quero gozar te olhando assim. Quero teu gosto na boca enquanto tu goza nos meus dedos.
A espreguiçadeira rangia sob o peso e o movimento. O sol batia nas nossas peles nuas, no suor escorrendo entre os peitos, nas coxas brilhando. Eu olhava nos olhos dela o tempo todo: o castanho escuro cheio de tesão puro, a boca vermelha e inchada de tanto beijar, o cabelo solto grudado na testa. Cada gemido dela me deixava mais molhada. Cada olhar pedia mais. Eu curvava os dedos dentro dela no mesmo ritmo em que ela me fodía, os polegares esfregando os clitóris ao mesmo tempo, o beijo nunca parando de verdade — só se quebrando em gemidos altos, em xingamentos baixos, em confissões sujas.
— Eu te amo foder — confessei contra a boca dela, ofegante. — Te amo sentir assim. Quero tua buceta na minha cara a tarde inteira. Quero te chupar até tu tremer e depois te foder de novo com a língua.
— E eu quero te montar na cara — ela respondeu, os dedos acelerando dentro de mim, o polegar esmagando meu clitóris em círculos rápidos. — Quero te ver engasgar no meu gosto. Quero gozar na tua boca e depois te beijar pra você sentir o próprio sabor misturado. Porra, Miriam... não para...
Nós duas pedíamos mais com o corpo inteiro. Os quadris se moviam sozinhos, rebolando nos dedos, se esfregando. Os seios balançavam a cada estocada. O cheiro de sexo subia forte, misturado ao do sol e da piscina. Eu sentia o orgasmo começando a construir, quente, baixo na barriga, mas ainda longe demais — só a promessa latejante. Clara também: as paredes dela apertavam meus dedos, o clitóris latejava sob meu polegar, os gemidos dela ficavam mais agudos, mais urgentes.
Mas a gente não parava. O beijo voltava faminto cada vez que um de nós se afastava pra respirar. As línguas se enroscavam de novo, chupando, lambendo dentes, dividindo saliva e gemidos. Eu puxava o cabelo dela, ela mordia meu ombro, nós duas nuas, suadas, dedos enterrados até o fundo, pedindo mais com cada olhar, cada movimento de quadril, cada “mais fundo”, cada “assim, porra, não para”.
A espreguiçadeira era pequena demais e perfeita demais. O mundo lá fora — as cigarras, o ploc da água, o calor do verão — tinha sumido. Só existia a boca dela na minha, os dedos nela, o gosto ainda na língua, o desejo que agora não cabia mais em confissão nenhuma. Eu queria devorá-la de verdade. Queria achar o jeito de virar, de ajoelhar entre as pernas dela ali mesmo e enfiar a língua fundo. E pelo jeito que ela me olhava, com a boca entreaberta e os olhos pretos de fome, ela queria exatamente a mesma coisa.
O sol continuava caindo quente nas nossas costas nuas enquanto a gente se fodia com as mãos e se beijava como se o mundo fosse acabar naquela espreguiçadeira. E nenhuma de nós tinha a menor intenção de parar.
O calor das nossas peles coladas já não bastava. Eu empurrei Clara de leve, a espreguiçadeira rangendo, e ela se deixou rolar para o lado, abrindo espaço. A cadeira larga da ponta, aquela de vime grosso que cabia duas de corpo inteiro, esperava a poucos passos. Levantei-me trêmula, o gosto dela ainda na língua, a buceta latejando vazia onde os dedos dela tinham acabado de sair. Clara me acompanhou de imediato, peitos balançando, coxas brilhando de gozo escorrendo. Deitamos juntas, eu por cima primeiro, ajoelhando entre as pernas dela que se abriram sem hesitar, joelho dobrado, sola do pé apoiada no vime quente.
— Abre pra mim — pedi, a voz rouca de fome pura. — Quero ver tudo.
Clara puxou os próprios joelhos, abrindo as coxas largas, a buceta molhada exposta sob o sol da tarde: lábios inchados, clitóris grosso e latejante, um fio grosso de tesão escorrendo pela fenda até o cu. O cheiro subiu forte, almiscarado, só dela. Eu gemi só de olhar e baixei a cabeça sem frescura. A língua achou o caminho na primeira lambida longa, da entrada até o clitóris, recolhendo tudo. O gosto explodiu — salgado, doce, quente. Eu chupei os lábios dela com barulho molhado, enfiando a língua fundo, depois subi e capturei o clitóris inchado entre os lábios, chupando forte, rítmico, enquanto dois dedos entravam de uma vez naquela buceta apertada e escorregadia.
— Porra, Miriam... assim... — ela gritou, a mão enfiada no meu cabelo, puxando. Os quadris dela subiram batendo na minha cara. Eu fodi com os dedos curvados, procurando o ponto inchado por dentro, chupando o clitóris como se fosse o último gosto do mundo. A língua batia rápido, os dedos entravam e saíam molhados, o barulho de sucção misturado aos gemidos agudos dela. Clara rebolava desesperada, seios trementes, barriga contraindo. Eu olhava pra cima entre as lambidas, vendo o rosto dela torcido de prazer, boca aberta, olhos semicerrados.
— Come... come essa buceta... não para — ela ofegava. Eu acelerei. Dois dedos fundo, polegar esfregando a entrada do cu dela de leve, língua faminta no clitóris inchado. O corpo dela engessou de repente. As paredes apertaram meus dedos numa fisgada quente e ela gozou gritando meu nome alto, rouco, sem vergonha: — Miriam! Porra, Miriam, tô gozando... ahhh!
O líquido dela escorreu na minha boca, na minha mão, molhando meu queixo. Eu continuei chupando devagar enquanto ela tremia, lambendo cada gota, os dedos ainda dentro pulsando com as contrações. O gosto dela me deixou louca. Meu próprio clitóris latejava doído de tanto tesão acumulado.
Clara puxou meu cabelo com força e me virou. Eu caí de quatro na espreguiçadeira larga, bunda pro ar, peitos pendurados, joelho abrindo espaço. Ela se ajoelhou atrás de mim num segundo. As mãos dela abriram minhas nádegas. O ar quente tocou meu cu e minha buceta expostos. Depois veio a língua.
— Olha esse cu molhado... essa boceta pingando — ela murmurou, e lambeu. Primeiro uma lambida longa da boceta ao cu, depois a língua enfiada na minha entrada, chupando o clitóris por baixo, depois subindo e perfurando o cu com a ponta molhada. Eu gritei no vime, o rosto enterrado no braço. Clara lambeu meu cu com fome, girando a língua, enfiando, chupando, enquanto dois dedos grossos entravam na minha buceta com força, fodendo fundo, rápidos. A outra mão dela veio pela frente e masturbou meu clitóris inchado em círculos precisos, apertados.
— Assim, caralho... lambe meu cu... fode... — eu gemia, rebolando pra trás na cara dela. Os dedos entravam até o fundo, curvando, o polegar no clitóris esmagando, a língua no cu molhando tudo. O suor escorria entre meus peitos, pingava na toalha. Eu sentia o orgasmo subindo rápido, quente, inevitável. Clara metia os dedos com força, o barulho molhado alto, e chupava meu cu como se quisesse me devorar por dentro. Meu corpo inteiro tremeu. As coxas fecharam sozinhas e eu gozei gritando, tremendo violentamente, o gozo escorrendo nos dedos dela, nas coxas, o cu contraindo na língua quente.
— Miriam gozando... porra que delícia — ela riu suja, ainda lambendo enquanto eu sacudia.
Não paramos. Eu me virei ofegante, puxei ela pra baixo e montamos o 69 ali mesmo na espreguiçadeira larga, suadas, corpos colados peito na barriga, bocas entre as pernas uma da outra. A buceta dela caiu na minha cara de novo, molhada do gozo anterior, e eu abri a boca engolindo tudo, chupando o clitóris ainda sensível enquanto enfiava os dedos de novo. Clara fez o mesmo: língua na minha boceta, dedos no meu cu agora, entrando devagar, depois fundo, enquanto chupava meu clitóris latejante. Nós duas lambíamos e dedávamos com tesão total, consentido, gemendo abafado uma na buceta da outra. O cheiro de sexo subia grosso. Suor misturava com gozo. Eu rebolava na cara dela, ela rebolava na minha. Os dedos entravam juntos — dois na boceta, um no cu — línguas famintas nos clitóris. Trocamos de ângulo várias vezes: ela por cima de quatro, eu chupando por baixo; depois eu montando a cara dela, dedos enfiados nela enquanto ela me comia; depois lado a lado, pernas enroscadas, bocas trabalhando sem parar.
— Teu gosto... caralho, Miriam, eu nunca gozo assim — ela gemia contra minha buceta, a voz abafada. Eu respondia enfiando a língua fundo nela, chupando o clitóris grosso, dedos curvados batendo o ponto. O 69 ficava cada vez mais molhado, saliva e gozo escorrendo pelos queixos, pelos peitos. Eu sentia outro orgasmo construindo nela pelos gemidos agudos, pelas paredes apertando meus dedos. No meu próprio corpo o calor voltava baixo na barriga, o clitóris latejando de novo sob a língua dela. Continuamos assim, lambendo, dedando, rebolando, suando sob o sol que agora inclinava dourado nas nossas costas nuas. Cada troca de posição era mais desesperada, mais íntima: eu chupava o cu dela enquanto dedava a boceta; ela me virava e metia três dedos fundo enquanto lambia o clitóris até eu tremer de novo, sem chegar ainda ao limite total. O desejo não baixava. Só aumentava. A espreguiçadeira estava encharcada. Nossos nomes saíam em gemidos baixos, confissões sujas entre lambidas — “te amo chupar”, “mete mais fundo”, “não para nunca”. Eu sabia que ainda tínhamos mais para devorar. O verão naquela casa mal tinha começado de verdade, e o próximo gozo já latejava entre nós, pedindo a boca, a mão, o corpo inteiro de novo.
Terminamos ofegantes e suadas, os corpos ainda tremendo um contra o outro na espreguiçadeira larga de vime. Eu tirei a boca da buceta dela devagar, o queixo encharcado, o gosto dela ainda forte na língua, e subi o corpo até ficar peito com peito, coxa com coxa. Clara me puxou pelo cabelo molhado de suor e me beijou. Foi um beijo lento desta vez, profundamente lento, línguas preguiçosas se encontrando sem pressa, só saboreando o que sobrara de gozo e saliva. Eu gemia baixinho dentro da boca dela, ela respondia com um suspiro quente que me arrepiava a nuca. Nossas mãos exploravam sem urgência agora: a minha acariciava a curva da bunda dela, os dedos escorregando no suor que escorria pela fenda; a dela descia pelas minhas costas, traçando a coluna até a cintura e apertando com uma ternura que contrastava com a fome de minutos atrás.
— Porra, Miriam… — ela sussurrou contra meus lábios, a voz rouca, quebrada de tanto gritar. — A gente esperou tanto tempo pra isso…
Eu ri, um riso curto e ofegante, a testa encostada na dela. O peito ainda subia e descia rápido, os mamilos sensíveis roçando nos dela a cada respiração. O sol já não queimava igual; inclinava dourado, pintando nossas peles de laranja e sombra. Eu sentia o batimento do coração dela contra o meu, sincronizado, pesado.
— Anos, Clara. Anos inteiros gozando sozinha pensando nessa boca, nesse cheiro, nesse jeito de me olhar. — Minha mão subiu até o rosto dela, o polegar limpando uma gota de suor da têmpora. — Eu achava que ia morrer sem te provar de verdade. E agora… caralho… agora eu não quero mais parar.
Ela sorriu, os dentes brilhando, os olhos castanhos ainda nublados de prazer. Beijou o canto da minha boca, depois o queixo, depois desceu um pouco e lambeu o suor que escorria entre meus seios. Eu arquejei, mas sem fogo novo — só o calor gostoso de quem já gozou até tremer e ainda quer o toque.
— Eu também — confessou ela, a voz baixa, íntima, como se falasse só pra mim e pro verão. — Todas aquelas noites em que a gente dividia a cama e eu fingia dormir enquanto imaginava virar e enfiar a mão entre tuas pernas. Todas as vezes em que te via de biquíni e sentia a calcinha molhar. Eu te amava como amiga e te desejava como puta, e isso me destruía por dentro. Hoje… hoje a gente finalmente parou de mentir.
Rimos juntas, o som abafado, quase um soluço compartilhado. O riso fez nossos peitos balançarem um contra o outro, e eu apertei a coxa dela entre as minhas, sentindo a umidade ainda quente, o cheiro grosso de sexo subindo no ar quente da tarde. Clara passou o braço por baixo do meu pescoço e me puxou pra um abraço de verdade, corpo inteiro colado, pernas enroscadas. Eu enterrei o rosto no pescoço dela, aspirando o jasmim misturado com suor e o gosto dela que ainda pairava. Os dedos dela faziam círculos lentos na minha nuca; os meus acariciavam a curva macia da barriga dela, subindo e descendo sem pressa.
Ficamos assim um tempo longo, só respirando, o vime rangendo de leve sob o peso satisfeito. A piscina fazia ploc-ploc distante. As cigarras tinham baixado o volume. O sol descia devagar, manchas douradas deslizando pelas nossas costas nuas, pelas coxas abertas, pelos peitos ainda marcados de chupões e unha. Eu sentia o gozo seco grudando na pele, o suor esfriando devagar, o latejar gostoso entre as pernas que agora era só memória quente.
— Essa casa… — murmurei contra a pele dela, beijando o ombro suado. — A partir de agora é nosso segredo. Nosso esconderijo delicioso. Sempre que der, a gente some pra cá. Eu te chupo na espreguiçadeira, tu me fodes com os dedos na piscina, a gente goza gritando sem se importar se alguém ouve do outro lado do muro. Combinado?
Clara riu de novo, o som vibrando no peito colado ao meu. Levantou a cabeça só o suficiente pra me olhar nos olhos, o cabelo escuro grudado na testa, a boca inchada e vermelha de tanto beijar e chupar.
— Combinadíssimo, sua safada. Essa casa de verão agora é sagrada. Nosso templo de confissão e buceta. Eu prometo te devorar toda vez que a gente conseguir fugir pra cá. E tu promete me montar na cara até eu esquecer o próprio nome. E a gente ri depois, igual agora. E se abraça. E decide que amizade nunca mais vai ser só amizade.
— Prometo — respondi, e beijei ela de novo, devagar, profundamente, a língua entrando mansa, só pra sentir o gosto familiar que agora era meu também. O beijo durou, molhado, preguiçoso, sem a fome de antes. Só carinho sujo e satisfeito. Quando nos separamos, fios de saliva ainda ligavam nossas bocas por um segundo. Eu limpei com o polegar e ela chupou o dedo, sorrindo.
O sol ia baixando de verdade agora. A luz dourada derramava sobre nossos corpos nus, iluminando o suor que brilhava nos seios, nas barrigas, nas coxas entreabertas. Eu ajeitei a cabeça no ombro dela, uma perna jogada por cima da coxa macia, a mão descansando preguiçosa no peito dela, sentindo o coração desacelerar. Clara me abraçou mais forte, o queixo apoiado no meu cabelo. Nenhuma de nós falou mais nada por um tempo. Só o silêncio quente, o cheiro de sexo e cloro e pele, o ploc distante da água, o crepúsculo caindo devagar sobre a casa branca e a espreguiçadeira encharcada.
Eu fechei os olhos. Senti o polegar dela acariciando minha nuca em círculos cada vez mais lentos. O calor dos corpos satisfeitos. A promessa ainda latejando baixinho entre nós, doce e suja. O verão inteiro pela frente, e todas as vezes que a gente pudesse roubar. Mas naquele instante não havia mais nada pra dizer, nem pra pedir, nem pra confesar.
Só o silêncio.
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